Flávia Varella
Helena Miranda Mollo
Mateus Henrique de Faria Pereira
Sérgio da Mata
(organizadores)
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O tempo está na ordem do dia. A redescoberta da temática suscita reflexões no âmbito de diversas disciplinas, que procuram caracterizar o movimento das ciências humanas de apreensão do tempo e da historicidade – uma “nova sensibilidade teórica”? – como uma “virada histórica” (“tournant historique”) das ciências humanas. Daí a dúvida acerca do lugar dado à história como “ciência do tempo”.
Este livro oferece uma gama de reflexões com foco na questão do presente e nos usos de abusos do passado. A coletânea – exemplo instigante, coerente e denso de um tipo de publicação que, por vezes, tende à dispersão e não provoca discussão – soma-se a outras contribuições relevantes, que procuram enfrentar temas como a memória, o esquecimento, a identidade, a justiça, a ética e o testemunho.
Recolocando a questão da função social da história - particularmente relevante num contexto em que os historiadores brasileiros discutem a regulamentação de sua profissão -, os textos aqui reunidos oferecem a contribuição de alguns estudiosos brasileiros para um profícuo debate sobre questões éticas e epistemológicas relativas à historiografia, à memória, às condições do presente e ao lugar do passado, que se difundiram ao longo do século XX, adquirindo características de urgência nos últimos 50 anos. Tempo acelerado ou lento; presente “hipertrofiado” ou “encolhido”; “passado que não passa”; crise do tempo.
O desafio está posto e, como afirmam os organizadores, “caso não queira se tornar refém de ilusões, o olhar deve tornar-se mais dialético. Mas também mais rigoroso”. Seria o esforço do intelectual para assumir as rédeas de um debate que constantemente lhe escapa e adquire novos contornos graças à mídia, à internet e à ação de variados agentes a reivindicar, explícita ou implicitamente, o controle do tempo?
Seja qual for o espaço dado ao presente, ao passado ou, quem sabe, ao futuro, é útil lembrar, como faz a epígrafe introdutória, que “o tempo em que vivemos não é este tempo único, fundamental ou que irrompe na história, a partir do qual tudo se acaba ou tudo recomeça” (Foucault).
Por: Rebeca Gontijo
Professora Adjunta do departamento de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
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